The Bad Guys: quando o passado já decidiu quem somos
The Bad Guys 1 e 2 parecem histórias sobre criminosos que tentam tornar-se bons, mas por baixo do humor falam de rótulos, amizade, identidade, confiança e da dificuldade de mudar quando o mundo continua a reconhecer-nos pelo passado.
The Bad Guys parece uma história sobre um grupo de criminosos que descobre que talvez seja melhor ser bom. Mas, olhando para os dois filmes em conjunto, encontro uma coisa muito mais interessante: o peso dos rótulos, a identidade que construímos com os outros e a dificuldade de mudar quando o passado continua a entrar numa sala antes de nós.
Este artigo contém detalhes importantes sobre a história e o final de The Bad Guys e The Bad Guys 2.
Há uma coisa em The Bad Guys que me conquista desde o início. E não é o facto de o Sr. Lobo ser secretamente uma boa pessoa que ainda não percebeu isso. Na verdade, acho a história muito mais interessante precisamente porque ele gosta daquilo que faz. Gosta dos roubos. Gosta dos planos. Gosta da adrenalina.
É muito bom naquele mundo e sabe que é. Não começa a história preso numa vida que odeia. Começa confortável dentro de uma identidade que conhece perfeitamente. E talvez seja por isso que um gesto tão pequeno como receber um simples “obrigado” consegue ser tão importante. Porque, pela primeira vez, Lobo descobre uma sensação positiva que não nasceu de enganar alguém, escapar de um roubo ou provar que era o melhor criminoso da sala.
Ele faz uma coisa boa. Alguém agradece. E a cauda abana antes de ele próprio conseguir compreender aquilo que acabou de sentir.
Às vezes, a mudança começa muito antes de sabermos que queremos mudar. Começa no instante em que descobrimos que existe outra forma de nos sentirmos vivos.
Para mim, é aí que começa realmente a história.
Quando ser mau também é divertido
Há uma tendência em histórias de redenção para reescrever a personagem depois de ela mudar. Como se, afinal, nunca tivesse gostado da vida antiga. Como se todas as escolhas erradas fossem apenas consequência de sofrimento, influência externa ou falta de oportunidade. Não é assim que vejo o Sr. Lobo.
Ele diverte-se. É carismático. Adora comandar o grupo. Planeia os roubos com confiança. Conhece as próprias capacidades e sente orgulho nelas. E acho importante não apagar isso. Porque crescer não exige que odiemos todas as versões anteriores de nós próprios. Podemos olhar para uma fase da nossa vida e reconhecer que existiram coisas de que gostávamos, mesmo sabendo hoje que determinadas escolhas não foram boas.
Podemos ter pertencido a um lugar. Ter-nos divertido. Ter criado relações importantes. E ainda assim chegar a um momento em que alguma coisa já não encaixa da mesma forma. Isso torna a mudança mais difícil. É muito mais fácil abandonar uma vida que nos faz completamente infelizes. É muito mais complicado perceber que precisamos de mudar quando existem partes dessa vida de que ainda gostamos.
Lobo não tem de descobrir que o passado foi uma mentira. Tem de descobrir que não é obrigado a ficar limitado por ele.
Podemos reconhecer que uma versão antiga de nós teve momentos felizes sem acreditar que precisamos de permanecer nela para sempre.
Um simples “obrigado” pode mostrar-nos uma parte de nós que ainda não conhecíamos
A cena da cauda a abanar parece uma piada. E é. Mas, para mim, também é uma das imagens emocionalmente mais importantes do primeiro filme. Lobo faz uma coisa boa. Não porque tenha construído uma nova filosofia de vida. Não porque tenha decidido tornar-se uma pessoa diferente. Faz. Recebe um agradecimento.
E sente alguma coisa.
O corpo reage antes da cabeça. A cauda abana. E ele fica quase incomodado com aquilo. Gosto muito deste detalhe porque mostra que nem sempre sabemos antecipadamente aquilo que nos fará bem. Às vezes passamos tanto tempo dentro do mesmo padrão que deixamos de imaginar que existe outro tipo de satisfação disponível.
Conhecemos a adrenalina. Conhecemos o reconhecimento por sermos bons em determinada coisa. Conhecemos a sensação de pertença a um grupo. Conhecemos aquilo que sempre fizemos. E depois acontece uma coisa aparentemente insignificante. Alguém agradece. Alguém confia. Alguém reconhece uma qualidade nossa que nunca tínhamos valorizado.
E essa experiência cria uma comparação. Lobo já sabia como era sentir-se poderoso. Agora descobre como é sentir-se bom por ter feito bem a alguém. Não acho que uma sensação transforme automaticamente uma pessoa. Mas pode abrir uma porta. Depois de descobrirmos que existe outro caminho, torna-se mais difícil fingir que nunca o vimos.
Às vezes, só descobrimos que existe uma versão diferente de nós quando alguma experiência nos faz sentir algo que nunca tínhamos aprendido a procurar.
Quando o mundo já decidiu quem somos
Há outra coisa que torna o grupo interessante. Eles não são apenas criminosos. São criaturas que, dentro do imaginário das pessoas à sua volta, já carregam determinadas ideias antes sequer de fazerem alguma coisa. O lobo é perigoso. A cobra não é de confiança. O tubarão provoca medo. A piranha morde.
A tarântula assusta. Existe uma história contada sobre eles antes de eles próprios entrarem em cena. E acho muito interessante pensar no que acontece quando ouvimos repetidamente uma definição sobre nós. Se uma pessoa passa anos a ouvir que não faz nada bem, alguma parte dessa mensagem pode começar a instalar-se.
Se ouve constantemente que é difícil, inútil, preguiçosa, estranha, incapaz ou impossível de amar, não basta dizer “não ligues”. As palavras repetidas criam marcas. Às vezes leves. Às vezes profundas. E podem começar a influenciar a forma como nos vemos mesmo quando já não existe ninguém naquele momento a repetir a frase.
Ela passa a existir dentro de nós.
Quando ouvimos vezes suficientes quem supostamente somos, podemos começar a viver como se essa definição fosse uma verdade e não apenas a opinião de alguém.
É por isso que os rótulos não servem apenas para descrever. Também podem limitar. Não porque uma palavra tenha poder mágico sobre uma pessoa. Mas porque aquilo que acreditamos sobre nós influencia aquilo que tentamos. Se acho que vou falhar, talvez nem comece. Se acredito que ninguém confiará em mim, talvez nem tente ser digno dessa confiança.
Se toda a gente já espera o pior, às vezes ser exatamente aquilo que esperam parece mais seguro do que tentar provar o contrário. O papel já está escrito. Sabemos representá-lo. E ninguém fica surpreendido. Mudar, pelo contrário, coloca-nos numa posição vulnerável. Podemos tentar e falhar. Podemos mudar e ninguém acreditar.
Podemos descobrir que algumas pessoas preferiam a nossa versão anterior porque era mais fácil de compreender. Talvez por isso o primeiro grande desafio de Lobo não seja simplesmente aprender a fazer coisas boas. É permitir-se perguntar:
“E se aquilo que todos esperam de mim não for a única coisa que eu posso ser?”
O grupo também tem uma identidade
Uma amizade não é apenas a soma de várias pessoas. Com o tempo, um grupo cria uma espécie de identidade própria. Existem piadas que só aquelas pessoas compreendem. Há histórias repetidas tantas vezes que já fazem parte do vocabulário do grupo. Há hábitos. Gostos em comum. Formas específicas de falar.
Lugares onde costumam ir. Papéis que cada pessoa ocupa quase sem perceber. Um grupo de amigos transforma-se numa pequena comunidade. E uma comunidade também desenvolve uma noção de “quem somos”. Os Bad Guys têm isso. Não roubam apenas juntos. Serem os Bad Guys é parte da linguagem emocional da amizade deles.
É aquilo que fazem. É aquilo em que são bons. É a reputação que construíram em conjunto. É o mundo que partilham.
Por isso, quando Lobo começa a mudar, não está apenas a modificar comportamentos individuais. Está a tocar numa coisa que pertence a todos. E isso pode ser assustador. Às vezes crescemos numa direção diferente daquelas pessoas com quem construímos uma parte importante de nós. Podemos continuar a gostar delas.
Continuar a valorizar tudo aquilo que vivemos. E ainda assim perceber que já não queremos exatamente as mesmas coisas. É aí que algumas amizades precisam de responder a uma pergunta difícil:
Se tu mudares, ainda existe espaço para o “nós” que construímos?
Não existe uma resposta única. Algumas relações acompanham a mudança. Outras ficam presas à versão que conheciam. Mas acho bonito que The Bad Guys mostre que aquilo que une o grupo acaba por ser maior do que a atividade que inicialmente definiu a amizade. Quando deixam de ser criminosos, a relação não precisa de desaparecer.
Precisa de encontrar uma nova forma de existir.
Cobra e o medo de perder a única realidade que conhece
É precisamente por isso que nunca vejo a resistência do Sr. Cobra apenas como teimosia. Ser “mau” não é uma coisa que ele faz ao fim de semana. É o mundo onde sabe existir. É o grupo. É a rotina. É a relação com Lobo. É a identidade que conhece. Quando Lobo começa a descobrir satisfação noutro lugar, Cobra não está apenas perante a possibilidade de deixar de roubar.
Está perante a possibilidade de tudo aquilo que conhece começar a mudar. E há uma diferença enorme. Podemos resistir a uma mudança porque achamos que ela é má. Mas também podemos resistir porque não sabemos quem seremos depois dela. Às vezes o conhecido é desconfortável. Mas continua a ser conhecido.
Sabemos as regras. Sabemos o nosso papel. Sabemos quem está ao nosso lado. Uma mudança verdadeira introduz perguntas. E se perdermos pessoas? E se já não pertencermos? E se aquilo que sempre fizemos desaparecer e não soubermos o que colocar no lugar?
É por isso que a relação entre Lobo e Cobra me interessa tanto. Lobo começa a olhar em frente. Cobra olha para essa mudança e pode sentir que o amigo está, de alguma forma, a afastar-se do mundo que construíram juntos. Não porque Lobo deixe de gostar dele. Mas porque aquilo que os definia começa a deixar de definir Lobo.
E existe uma vulnerabilidade enorme nessa situação.
Às vezes, o medo da mudança não é medo de uma vida nova. É medo de descobrir que as pessoas que amamos talvez já não precisem do mundo onde aprendemos a estar juntos.
Quando um amigo muda, a relação também precisa de mudar
Gostamos de falar de crescimento como uma coisa exclusivamente individual. “Faz aquilo que é melhor para ti.” “Muda.” “Segue em frente.” “Torna-te a tua melhor versão.” Mas nós não existimos isolados. As nossas mudanças também mexem nas relações à nossa volta. Se duas pessoas criaram uma amizade principalmente através de uma determinada fase da vida, aquilo que acontece quando uma delas sai dessa fase pode ser desconfortável.
Deixamos de fazer as mesmas coisas. Talvez deixemos de frequentar os mesmos lugares. As prioridades mudam. Algumas conversas já não ocupam o mesmo espaço. E pode surgir a sensação de que a mudança de alguém é uma rejeição da pessoa que ficou. Mas nem sempre é. Podemos amar uma pessoa e já não querer a vida que vivíamos com ela.
Podemos guardar carinho por uma fase e saber que já não conseguimos voltar. Uma relação suficientemente forte precisa de conseguir descobrir: o que existe entre nós para além do contexto onde nos conhecemos? É isso que o grupo acaba por precisar de fazer. Deixar de ser “os amigos que roubam juntos” e perceber que talvez possam simplesmente continuar a ser amigos.
Parece uma diferença pequena. Mas emocionalmente é enorme.
Uma amizade saudável não precisa de exigir que continuemos iguais para que o outro continue confortável.
Diane e Lobo: talvez nunca tenham sido assim tão diferentes
Gosto muito da relação entre Lobo e Diane precisamente porque não sinto que ela funcione como “a pessoa boa que vem ensinar o criminoso a ser bom”. Seria demasiado simples. Diane também conhece a distância entre aquilo que fomos e aquilo que escolhemos ser. Ela compreende que uma identidade antiga pode ser verdadeira e, ao mesmo tempo, não precisar de continuar a definir toda a vida de uma pessoa.
E isso cria um tipo de proximidade diferente. Há coisas que conseguimos compreender intelectualmente. E depois há aquelas que reconhecemos porque, de alguma forma, já estivemos num lugar semelhante. Não precisamos de ter vivido exatamente a mesma história. Basta conhecer determinada emoção. A culpa.
A vontade de começar de novo. O receio de que alguém descubra uma versão antiga. A sensação de que existe sempre qualquer coisa do passado a acompanhar-nos.
É por isso que sinto que Lobo e Diane acabam por não ser assim tão diferentes um do outro. Não porque as histórias sejam iguais. Mas porque existe reconhecimento. Diane consegue ver possibilidade em Lobo sem precisar de fingir que ele nunca fez nada errado. E isto é importante. Há uma diferença entre acreditar numa pessoa e idealizá-la.
Acreditar em alguém não exige apagar o passado. Pode significar olhar para aquilo que a pessoa fez, reconhecer as consequências e ainda assim aceitar que ela é capaz de escolher de outra forma.
Há pessoas que conseguem reconhecer a nossa mudança porque sabem que uma versão antiga de nós pode fazer parte da história sem precisar de ser o final dela.
O segundo filme faz uma pergunta mais difícil: e quando mudar não chega?
É aqui que juntar os dois filmes torna a história muito mais interessante para mim. O primeiro permite descobrir que a mudança é possível. O segundo pergunta o que fazemos depois. Porque tomar uma decisão é uma coisa. Viver dentro dela todos os dias é outra. No segundo filme, o grupo já não está a tentar descobrir se consegue fazer o bem.
Está a tentar construir uma vida depois da reputação que criou. E o passado não desaparece só porque eles decidiram mudar. As pessoas continuam a desconfiar. As oportunidades não aparecem automaticamente. Existe pressão para provar constantemente que a mudança é real. E depois são puxados novamente para um grande golpe, desta vez por outro grupo de criminosas.
A situação torna literal aquilo que emocionalmente já estava presente: o passado continua a tentar colocá-los outra vez no papel antigo. Acho isto particularmente interessante porque existe uma fantasia associada a recomeçar. Tomamos uma decisão. Pedimos desculpa. Mudamos comportamentos. E imaginamos que o mundo acompanhará essa mudança à mesma velocidade.
Mas raramente acontece assim. A nossa consciência pode mudar num instante. A confiança dos outros não. A nossa intenção pode ser nova. A reputação continua velha durante algum tempo. E é nesse intervalo que muitas mudanças são testadas.
Mudar não é apenas decidir uma vez quem queremos ser. É continuar a escolher essa pessoa quando regressar ao antigo caminho seria muito mais fácil.
Confiança não regressa ao mesmo ritmo da mudança
Aqui acho importante não cair no extremo oposto. Se alguém mudou, isso não significa que todas as pessoas à volta tenham obrigação de confiar imediatamente. A confiança não funciona assim. Especialmente quando houve consequências reais. Uma pessoa pode arrepender-se sinceramente hoje. Alguém que foi magoado pode continuar a precisar de tempo amanhã.
As duas coisas podem ser verdade ao mesmo tempo. É uma distinção de que gosto muito: mudança e confiança não acontecem necessariamente à mesma velocidade. Quem muda controla as escolhas que faz agora. Não controla o tempo que outra pessoa precisa para acreditar nelas. Isso pode ser frustrante. Podemos pensar:
“Mas eu já não sou aquela pessoa.” E talvez seja verdade. Mas quem está do outro lado pode ainda conhecer-nos principalmente através daquilo que fizemos. A reconstrução exige repetição. Coerência. Tempo. Não uma grande declaração de mudança, mas várias escolhas pequenas que começam lentamente a criar uma história nova.
Ao mesmo tempo, existe uma diferença entre cautela e condenação permanente. Uma coisa é dizer: “Ainda preciso de tempo para confiar em ti.” Outra é dizer: “Nada que faças alguma vez poderá mudar aquilo que decidi que és.” A primeira reconhece a ferida. A segunda transforma o passado numa sentença.
As pessoas não são obrigadas a esquecer o nosso passado para reconhecer a nossa mudança. Mas também não deveríamos ser condenados a permanecer para sempre dentro do pior erro que cometemos.
Uma segunda oportunidade não é uma página em branco
Eu acredito em segundas oportunidades. Mas talvez precisamente por isso não gosto da ideia de que uma segunda oportunidade significa começar do zero. Não começamos. O que aconteceu continua a ter acontecido. As consequências não desaparecem. As pessoas que magoámos não ficam magicamente sem memória.
As escolhas anteriores continuam a fazer parte da história. Uma segunda oportunidade é outra coisa. É a possibilidade de escrever a próxima parte de forma diferente. Para mim, esta distinção torna a ideia de redenção muito mais humana. Não precisamos de fingir que alguém nunca errou para acreditar que pode melhorar.
Aliás, melhorar só faz sentido se existir alguma coisa que reconhecemos e queremos fazer de maneira diferente. Errar é humano. Não num sentido que transforma qualquer comportamento em algo aceitável. Mas no sentido de que nenhuma pessoa passa pela vida inteira sem tomar decisões erradas. A diferença está naquilo que fazemos quando conseguimos vê-las.
Negamos? Culpamos toda a gente? Repetimos? Ou assumimos responsabilidade e tentamos aprender?
Errar faz parte de sermos humanos. O que fazemos depois de reconhecer o erro também diz quem somos.
Não existe uma versão final de nós próprios onde nunca mais erramos. Não chegamos a um ponto onde podemos dizer: “Pronto. Agora sou a minha melhor versão e nunca mais preciso de rever nada.” Continuamos a aprender. Continuamos a descobrir comportamentos que queremos mudar. Continuamos a perceber coisas que antes não conseguíamos ver.
Uma versão melhor de nós não é uma versão perfeita. É talvez uma versão mais consciente. Mais capaz de reconhecer o impacto das próprias escolhas. Mais disponível para corrigir. E suficientemente humilde para aceitar que melhorar não termina.
O passado explica partes de nós. Não precisa de decidir quem seremos.
No fundo, é esta a ideia que me fica quando olho para os dois filmes em conjunto. No primeiro, Lobo descobre que existe nele uma possibilidade que nunca tinha explorado. Não deixa imediatamente de gostar do que conhecia. Não se transforma porque alguém lhe explicou a diferença entre bem e mal. Experimenta uma sensação nova.
Começa a fazer escolhas novas. E percebe que a identidade onde viveu durante tanto tempo talvez não seja a única disponível. No segundo, essa descoberta já não chega. Agora é preciso sustentá-la. Quando as pessoas ainda desconfiam. Quando a reputação permanece. Quando surgem oportunidades de regressar ao que era familiar.
Quando é cansativo ter de provar que alguma coisa mudou. E é aqui que a transformação se torna mais real. Porque mudar quando tudo à nossa volta apoia a nova versão é uma coisa. Continuar a escolhê-la quando o mundo ainda nos chama pelo nome antigo é outra. Talvez nunca consigamos controlar completamente a forma como os outros nos veem.
Algumas pessoas continuarão a lembrar-se de uma versão nossa que já não reconhecemos. Outras precisarão de tempo. Algumas talvez nunca mudem de opinião. Mas não podemos entregar-lhes completamente a autoria daquilo que seremos. Os rótulos influenciam. O passado influencia. Os erros influenciam. As relações influenciam.
Mas influência não é destino.
Uma segunda oportunidade não apaga aquilo que fizemos. Dá-nos a possibilidade de decidir aquilo que fazemos a seguir.
Talvez seja isso que gosto tanto nesta história. Ela não precisa de transformar os Bad Guys em pessoas que nunca foram más. Eles foram. Fizeram escolhas. Criaram consequências. Construíram uma reputação. Mas também descobriram outra coisa: o facto de uma escolha fazer parte da nossa história não significa que tenha direito a escrever sozinha todas as páginas seguintes.
Há sempre espaço para aprender. Há sempre espaço para rever. Há sempre espaço para tentar ser melhor. Não porque possamos apagar quem fomos. Mas porque ainda podemos participar na escolha de quem seremos a seguir.
E tu? Já sentiste que alguém continuava a olhar para uma versão antiga de ti mesmo depois de alguma coisa em ti ter mudado?
Acreditas que todos merecem uma segunda oportunidade quando reconhecem verdadeiramente um erro e demonstram mudança através das escolhas?
E até que ponto achas que os rótulos que ouvimos durante muito tempo podem acabar por influenciar a pessoa que acreditamos ser? Conta-me nos comentários, se te sentires confortável.
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